quinta-feira, 11 de outubro de 2018

DIGITALIZAÇÃO DO SINAL ANALÓGICO

DIGITALIZAÇÃO DO SINAL ANALÓGICO

010101010111 - os números que contem apenas dois algarismos
Os conceitos de "analogico" e "digital" são utilizados sem muita precisão, e geralmente são respectivamente entendidos como: em um (analógico) eu vejo uma imagem no filme, no outro (digital) eu vejo a imagem em um visor LCD.


Bem, a história é mais complexa do essa impressão geral e neste post explica-se o significado de cada uma dessas palavras.



Na analogia há uma relação de semelhança entre os objetos considerados; no caso da fotografia, as coisas do mundo real e a imagem fixada no filme são análogas... todavia mesmo quando consideramos um sistema eletrônico, a relação analógica ainda pode estar presente. Vejamos.





sensor foto-elétrico repleto de pixels (fotodiodos) de uma câmera

Um sensor de câmera (CCD ou CMOS), em cada um de seus fotodiodos (células fotoelétricas), forma uma carga elétrica  equivalente à quantidade de photons (energia luminosa) que incidem sobre o fotodiodo. Portanto temos aí uma relação analógica. A quantidade de carga acumulada no fotodiodo é análoga à quantidade de energia luminosa que incide sobre o próprio fotodiodo.




caminho da luz até chegar ao fotodiodo (celula fotoelétrica/pixel)

Ora, um sinal elétrico analógico, gerado pelas cargas elétricas formadas em cada fotodiodo, é enviado à saída do sensor. Um sinal elétrico é uma corrente elétrica que contém algum tipo de informação. E nesse caso é analógica pois é equivalente às quantidades de energia luminosa que incidiram sobre o sensor.

exemplo da representação gráfica de um sinal analógico


O mesmo acontece em um microfone: o som (uma energia mecânica) incide sobre um sensor do microfone que transforma essa energia  mecânica em energia elétrica analógica.  A propósito, só pra constar,  um sistema que transforma uma energia de um tipo, em energia de outro tipo é genericamente denominado de TRANSDUTOR.



Ora, o sinal elétrico que sai desses transdutores (capsula do microfone, sensor da câmera fotográfica eletrônica) são sinais analógicos.




A CONVERSÃO ANALÓGICO / DIGITAL




sinal digital e sinal analógico


Depois que o sinal elétrico analógico foi produzido, haverá um complexo processamento, no qual as informações que estavam sendo carregadas pelo sinal elétrico digital, são transferidas para um outro formato de sinal elétrico; agora sim teremos um sinal elétrico digital. Esse sinal digital consiste em uma sequência codificada de zeros (0) e uns (1) que representam os valores do sinal analógico, isto é, esses valores foram transferidos para um sistema  de numeração binária, tal como observamos em um código de barras.



código de barras, zeros e uns são barras pretas e brancas



Mas é bom lembrar que esse novo sinal elétrico apenas comporta-se como um sistema de numeração binária, pois quando há carga elétrica, corresponde ao algarismo 1, e quando não há corresponde ao algarismo 0. 


Um número binário pode ter uma sucessão enorme de "zeros" e de "uns".  Cada posição dentro de uma "palavra binária" (que é o nome que se dá ao número binário - não ao conteúdo mas sim à sua forma) pode receber um "zero" ou um "um". Quanto maior for a quantidade de posições que recebem os "zeros" e os "uns", maior será a capacidade da palavra binária em representar uma grande quantidade de valores.



formula pra calcular quantidade de valores: 2 elevado a n ,onde n=numero de bits
Só falta informar que cada posição que recebe os dois binários é chamada de BIT, que é uma abreviação Binary Information Unit. Um computador de 64bits pode fazer contas com palavras binárias de até 64 casas que vão conter os "zeros" e os "uns"....




Acho que todo mundo já entendeu mas só pra insistir.... Dentro dos equipamentos digitais não tem um monte de 0 e de 1, temos cargas elétricas organizadas na forma de um sistema numérico
binário. Com carga = 1; sem carga = 0.






Mais informações estão nos slides apresentados em sala de aula.



terça-feira, 9 de outubro de 2018

O ENSAIO FOTOGRÁFICO

O ENSAIO FOTOGRÁFICO

ENSAIOS FOTOGRÁFICOS.

Parece que existem algumas dúvidas sobre o significado
da palavra ENSAIO em Fotografia.

Vou explicar melhor o que eu espero de um ENSAIO em uma
disciplina de FOTOGRAFIA para um curso de JORNALISMO.

Espera-se do estudante de jornalismo que ele tenha domínio
fotográfico como um observador atento dos acontecimentos
imagéticos que aparecem em meio aos fenômenos de
quaisquer natureza. Ou seja, ele procura as imagens que
melhor vão representar o seu olhar de um determinado
conjunto de coisas que aparecem durante um acontecimento.

Por acontecimento, entendo os eventos que estejam relacionados
de alguma forma com o tema escolhido. Por isso,  ao Fotojornalista
cabe uma postura DOCUMENTÁRIA, de modo que não fique
construindo ficcionalmente imagens que venham a ilustrar
seu ensaio. 


Yosemite por Ansel Adams

Ansel Adams em 1950  (1902-1984)





































Em alguns casos o ENSAIO fotográfico pode levar uma vida toda
para ser concluído pois os elementos pertencentes ao RECORTE
temático escolhido aparecem continuamente na obra do fotógrafo

O que interessa é a REALIDADE com toda sua profusão de
acontecimentos, e o fotógrafo ali no meio dos acontecimentos,
um observador atento e privilegiado, dando expressão ao seu
olhar (imagens) sobre essa REALIDADE.


Por isso nada de ficar "produzindo situações" para ilustrar
os temas. Terminantemente proibido !!!



Capoeira por Pierre Verger




















Pierre Verger 1952 (1902-1996)
























O que se espera é que o estudante esteja no lugar certo,
na hora certa, com o enquadramento certo, com domínio
técnico suficiente para o que o momento do acontecimento
seja REGISTRADO pela câmera.

Aqui segue um bom artigo, com a fundamentação teórica
sobre esse assunto, intitulado:


http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/discursosfotograficos/article/view/1511/1257
























O CONCEITO DE ENSAIO FOTOGRÁFICO
Beatriz Cunha Fiuza E Cristiana Parente
revista discursos fotográficos, Londrina, 
v.4, n.4,  p.161-176, 2008

sexta-feira, 17 de março de 2017

FOTOGRAFIA, SEMIÓTICA E UMWELT

FOTOGRAFIA, SEMIÓTICA E UMWELT


SEMIÓTICA

A Teoria Geral dos Signos de Charles Sanders Peirce (1839-1914) pode ser utilizada para se fazer a análise semiótica de imagens fotográficas.


Uma fotografia é um signo, ou como diz o Peirce: algo que está no lugar de outra coisa e o representa.
O interessante é que uma fotografia, diferentemente de um desenho, é o resultado direto da ação da luz sobre um sensor fotográfico, de modo que isso torna a fotografia um tipo especial de signo, resultado da ação de uma "força física".
Interessa-me a relação que a fotografia estabelece com a Realidade, e nesse caso é uma relação direta com a luz. Dessa forma, a fotografia pode ser classificada como um ÍNDICE, que é um tipo de signo que indica (!) uma coisa existente na natureza, ou algo que existiu algum dia.
Os signos fazem uma ponte entre a Realidade e a Mente que interpreta e procura compreender a Realidade.

UMWELT

O conceito de UMWELT vem de um biólogo chamado Jacob von Uexküll (1864-1944), e ele afirma que todos os animais tem os seus Umwelten (o plural em alemão é com "en"). 

Jacob von Uexküll

Umwelt é como uma bolha de sabão em volta de um animal. Na parede dessa bolha de sabão estão todos os signos que os animais "vêm" quando observam o ambiente. 
O assunto é que os seres humanos também tem Umwelt e os signos presentes estão diretamente relacionados com as coisas que vemos, cheiramos, sentimos e manipulamos.
O Umwelt humano contém signos que se referem ao mundo que nos rodeia e ele pode incorporar mais signos novos; Umwelt em Alemão significa "Ambiente".





Ora, a fotografia é um signo que permite compartilharmos nossa memória visual com os nossos semelhantes. Um signo que pertence ao Umwelt da nossa espécie.
Esses conceitos são importantes para entendermos a função da imagem fotográfica no mundo em que vivemos, e também qual é sua importância para o ser humano, enquanto ser vivo.

https://drive.google.com/file/d/0BwRKMh2WAMEUZ2JBblRKRzFEdk0/view?usp=sharing


domingo, 5 de março de 2017

TEORIA DA FOTOGRAFIA 1 VEROSSIMILHANÇA / ÍNDICE

DA VEROSSIMILHANÇA AO ÍNDICE

A Semiótica trata da produção de significado em qualquer tipo de signo. Aqui o interesse é pelo signo fotográfico. Para a Semiótica, todo signo tem três pontas como em um triângulo: uma que se liga ao Objeto que o signo representa, outra que se relaciona ao próprio signo como suporte do significado (o Representâmen) e por fim uma terceira ponta que se relaciona ao significado que é capaz de produzir em uma mente ( o Interpretante), para onde a informação flui. O nosso Representâmen é o próprio suporte fotográfico. 








O texto a ser lido é o primeiro capítulo do livro O ATO FOTOGRÁFICO de Philippe Dubois.

O subtítulo deste capítulo é "Pequena retrospectiva histórica sobre a questão do realismo na fotografia". Neste texto você encontra uma boa discussão a respeito do que os teóricos pensam a respeito da relação entre a fotografia e a realidade. No texto são apresentadas 3 "fases" ou "tipos" de posições teóricas sobre o assunto: 

1) fotografia como espelho da realidade
2) fotografia como transformação da realidade
3) fotografia como traço da realidade

É uma boa introdução a respeito de Semiótica e Fotografia. São mais de 30 páginas, não deixe pra ler na hora da prova, OK.



 https://drive.google.com/file/d/0BwRKMh2WAMEUZW5GYW16SDUzTkk/view?usp=sharing